quarta-feira, 25 de agosto de 2010

AMOR, LIBERDADE E LIMITES

Amar é querer bem ao outro, querer o bem para o outro e fazer o bem ao outro... Mesmo que isto signifique abrir mão da presença do outro junto a nós. As pessoas que dizem que amam e querem forçar a presença e a companhia do outro, na verdade, não amam, e sim querem ser amadas. Amar de verdade é ser capaz, inclusive, de abrir mão do amor do outro se esta for uma condição para que o outro seja feliz. Esta é a verdadeira essência do amor: querer a felicidade do outro e agir de maneira coerente com isso. Ora, a felicidade do outro não depende de nossa vontade e sim do que é, intrinsecamente, bom para ele. Muita gente acha que sabe o que é bom para o outro sem nunca tê-lo consultado. Nisto consistem a arrogância e o egoísmo de querer impor a própria vontade ao outro sob o disfarce de amor.
Amar é querer tanto o bem do outro a ponto de desapegar-se dele se isto for necessário para que ele seja feliz. Amar exige, antes de tudo, liberdade de ambas as partes. O amor só é amor se é dado livremente, nunca sob coação. Não há como amar sem dar liberdade, inclusive a liberdade de ir embora, inclusive a liberdade de não corresponder ao amor - a liberdade de não querer amar. É por nos amar verdadeiramente que Deus nos concede o livre arbítrio. Como ousamos nós querer chamar de amor nosso próprio egoísmo que impõe ao outro a nossa vontade?
Não é possível, não há como propor, nem sugerir, nem justificar, nem de modo algum alegar que se ama alguém sem reconhecer e respeitar completamente a liberdade dessa pessoa.
Ao mesmo tempo em que o amor requer a plena e absoluta liberdade de amar, de ser e de se manifestar, sua concretização na vida das pessoas torna necessário o estabelecimento de limites. E o que vêm a ser limites? Limites, no sentido psicológico do termo, são exatamente o mesmo que no sentido concreto: elementos que definem as fronteiras dos territórios das pessoas. Isso mesmo: territórios – os territórios psicológicos das pessoas, os limites do eu. Não é possível amar verdadeiramente sem respeitar os limites do eu do outro. Nem é tampouco possível se deixar amar de maneira saudável sem fazer valer os limites do próprio eu. É por isso que o segundo grande mandamento do cristianismo é amar ao próximo “como a si mesmo”. Se quero o respeito do ser amado, preciso respeitá-lo; se quero consideração do ser amado, preciso ter consideração para com ele; se quero compreensão do ser amado, preciso compreendê-lo também. E vice-versa. O amor entre um casal precisa ser mútuo para ser digno do nome de amor.
Então quem será capaz de amar? Aquele que se esforça contínua e incessantemente para respeitar, compreender e ter consideração para com o outro. E quem poderá ser amado sem ser explorado, manipulado ou sofrer abuso físico ou moral? Aquele que tiver a capacidade de fazer valer seus próprios limites. O amor entre um casal é uma via de mão dupla: Não faz sentido dormir com o inimigo e dar a isso o nome de amor.
É claro que ninguém é perfeito. Ninguém consegue ser o amante ideal 24 horas por dia. Mas também não merece o nome de amor uma postura que não inclua um esforço constante, mesmo que às vezes não necessariamente contínuo, em busca do ideal do amor.
Amar e ser amado num relacionamento conjugal é tentar ser a cada dia um parceiro melhor para o outro e receber do outro o mesmo esforço e a mesma boa vontade. Por isso não existe amor sem limites, mas também não há amor sem plena liberdade.

2 comentários:

  1. Adoro seus textos,como sempre muito lindo.
    Quando começamos a ler não queremos mais parar.
    Escrever tudo isso é uma dádiva de Deus.
    E nós que somos abençoados por ter uma pessoa
    assim como você para nos proporcionar isso.

    Que Deus te abençoe.

    Bjão....Silvia.

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  2. essa é a mensagem dos Toltecas

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